segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Felizes são os fracos


Essa afirmação de Jesus é totalmente estranha ao nosso mundo onde os fortes, os ricos, os aplaudidos, os admirados, os bonitos e os poderosos parecem escrever a história. Os fortes estão na mídia e ditam os costumes, estabelecem os padrões de comportamento, influenciam as pessoas em relação aquilo que elas irão gostar e comprar. As pessoas, em geral, os consideram felizes. Afinal, nas revistas e na televisão, eles sempre aparecem sorrindo e lançando palavras positivas. Contudo, Jesus diz que felizes não são os fortes, mas os fracos. “Bem-aventurados – felizes – os humildes de espírito”.
Os humildes de espírito são aqueles indivíduos que olham para si mesmos e se reconhecem fracos, frágeis, limitados, tantas vezes cansados e esgotados diante das pressões do dia-a-dia. Eles não têm neles mesmos mais forças para continuar lutando contra os demônios que aparecem ao meio-dia e nas sombras da noite. São muitas as batalhas que acontecem tanto do lado de fora, nas situações e trincheiras do cotidiano, quanto do lado de dentro, nos castelos interiores da alma.

Aquele ímpeto, muitas vezes corajoso e arrogante, do primeiro Moisés – eu vou tirar o povo do Egito com a força do meu braço, eu vou fazer e acontecer, eu tenho posição, autoridade e capacidade – deu lugar à fragilidade do segundo Moisés que, depois de uma longa jornada de 40 anos no deserto, diante da sarça ardente confessou: “eu não sei falar”, ou, em outras palavras: “na verdade, eu não sei para onde ir e nem por onde começar.”

No humilde de espírito, a força deu lugar à fraqueza e abriu espaço para que o poder de Deus se aperfeiçoasse, como o próprio apóstolo Paulo afirmou: “O poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Os argumentos cessaram, as palavras sumiram, os recursos acabaram, os exercícios espirituais se mostraram limitados e o indivíduo se encontra sozinho, no deserto da existência humana, desnudo diante do seu Deus e, talvez, pela primeira vez na vida, reconhecendo as próprias limitações.

O coração pródigo, que um dia gastou todos os seus bens, palavras e sonhos numa terra distante, e que agora se encontra fragilizado, rodeado de angústias, perplexo diante das tantas perguntas sem respostas e ansioso quanto ao dia de amanhã, sabe que não tem mais nada a oferecer a ninguém. Ele reconhece que está na total dependência e liberalidade do Outro. Sem ele saber, durante a sua peregrinação pelas veredas da vida e emaranhados das escolhas pessoais, ele se abriu para o maravilhoso encontro com Deus e sua bendita Graça.

Para os que não sabem, Graça é favor, nunca retribuição; é imerecida, nunca conquistada; é estendida aos que perderam, nunca aos que se acham vencedores; é revelada aos fracos, mas permanece oculta àqueles que se acham fortes; é presente de Deus, jamais uma realização da força humana. Os fortes nunca a encontram, mas, segundo Jesus, os fracos são bem-aventurados, pois deles é o Reino dos Céus.

Que a força de Jesus nos preencha em nossa fraqueza.

Ticiane moreira!

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